quarta-feira, 16 de junho de 2010

dια 14 ▫ Tenho Saudade

Eu tenho saudade de tantas coisas...

Dois mil e oito, por exemplo...
As coisas não iam bem, mas pelo menos existiam "as coisas" naquela época. Sinto falta disso.
As nossas brincadeiras, conversas curtas pelo telefone, o vazio quando não estávamos 'juntos' e o amor que era retribuído.

Eu sinto falta da minha infância...
Na quarta-série, que ninguém conhecia o garoto gordo e esquisito da classe C.
Mesma quarta-série essa em que eu apanhava se não "desse" minhas figurinhas de Yu-Gih-Oh para um filho-da-puta favelado chamado Carlos (espero que ele ainda seja analfabeto).

Inicio do ensino-fundamental...
O mesmo gordinho, com cabelo horrível. Eu tinha um cabelo ridículo, e não me preocupava com isso, pois eu não sabia disso. Hoje eu tenho o mesmo cabelo ridículo, só que ciente de tal defeito, e agora uso um boné pra não precisar fazer chapinha. Se fosse como antes, que não me importava com a bundinha que levava em cima da cabeça, seria mais fácil; ou não, pois naquela época eu nunca tinha tido nenhum tipo de contato com alguma garota.

Eu sinto falta de quando eu era pequeno e ficava com inveja dos pelos nas axilas do meu pai. Hoje os pelos que tenho nas axilas, crescem mais que o necessário, resultando em momentos desagradáveis de aparação em frente ao espelho. E digo o mesmo pros pelos pubianos.

E também quando eu era feliz apenas por ter um misero bigodinho aos onze, e agora com dezessete eu preciso tirar uma barba inteira de uma em uma semana. Mas foda-se, nem sei porque to reclamando! Eu adoro pagar um sapo com esses pentelhos, e sempre deixo crescer; e não é por preguiça ou falta de higiene, pois fiquem vocês sabendo que eu a lavo com shampoo e condicionador.

Mais uma vez o gordinho, que quando gordinho, não sabia da existência de um osso estranho que tinha por trás de seus pneus. Isso me assusta, e um dia ainda procuro um medico. Mas antes magricela, com ossos que saltam pra fora da pele, do que passar todos os dias ouvindo aquela músiquinha: “Gordo, baleia, saco de areia. Comeu banana podre, morreu de caganeira”.