quinta-feira, 6 de maio de 2010

dια 06 ▫ Pra relembrar quando era apenas um diário

Hoje na escola passei o dia inteiro sem fazer porra nenhuma – novidade –; e como em toda aula de matemática nem chego perto de me interessar em aprender, mais uma vez pensei em escrever alguma coisa, só que tinha um problema: estava sem inspiração.
 Olhei pra uma garota da minha sala, que me lembro dela na época que era da terceira série, pois eu e meu amigo Ricardo ficávamos falando que ela era uma “menina que parecia menino, que parecia menina que parecia um menino”, ou seja, uma coisa meio indefinida. E o que não mudou com o tempo, é que a mina continua muito estranha, e o pior é que as vezes eu infelizmente reparo que ela me da umas olhadas, e de vez em quando eu checo pra ver se ainda faz isso, só pra saber se continuo gostoso e tal... Numa dessas, veio uma idéia na minha cabeça, começando com tal pensamento: “E se ela pedisse pra ficar comigo? Ela tem um corpo legal, mó quadril bonito, e um poposão apalpável, mas só que é muito feia, e eu não fico com garotas feias! Gordinha tudo bem, mas feia não, é sacanagem...”. A minha abençoada mente de escritor começou a martelar e não sei broxólas porque, me veio pronto um conto sobre um cara da faculdade, que namorava uma garota muito horrível, só porque ela era gostosa e boa de cama; e então comecei na sala de aula mesmo a escrever isso em uma folha.
Agora terminado, aí vai o link: http://raulizar.blogspot.com/2010/05/06.html

 Quando bateu o sinal de saída da escola, me encontrei com o Leonardo e o Arthur, e fomos andando até a feira, onde ficamos dando uma olhada nos filmes pornô, mas só que eu fiquei mais interessado mesmo foi pelo cheiro do pastel que tava vindo de uma barraquinha perto dali. Dei a idéia de irmos comprar um, porque foi instantâneo, fiquei seco de vontade, pensei até que tava grávido, e pra minha surpresa eles concordaram. O Arthur foi em sua casa pegar dinheiro, e eu fui com o Leonardo na dele pra ver se tinha, e o coitado foi todo feliz no cofrinho ('haha) contar as moedas, só que não havia nem um real furado: “Pow, não tenho dinheiro não :/. Mas vamo lá que eu vou contigo comprar o pastel”.
 Já tava saindo quando a faxineira dele pediu pra eu arrumar um discador pra internet ilimitada que ela tinha colocado na casa dela. Eu concordei e enquanto fazia isso, a mãe do Leonardo e do Guilherme os chamou para almoçar. Os dois ficaram insistindo por horas pra ver se eu queria, e eu mesmo morrendo de fome, disse que não. A mãe dele também tentou, perguntando se eu tava com vergonha, e ainda respondi que era “feio ficar comendo na casa dos outros, dando despesa...” mas o Guilherme acabou me ferrando, lembrando das vezes que eu ia lá todo domingo só pra almoçar, e sempre tinha macarrão com frango assado, e como eu não sabia manusear o garfo com a faca, tinha de pegar o bixo com a mão. Fiquei com mó vergonha e falei: “Ah, é que nessa época eu era cara de pau...” mas nem adiantou ficar negando, quando menos esperava chegou o Leonardo com o prato pronto pra mim: “Agora já era, vai ter que aceitar!” então parei de fazer cu doce e peguei de uma vez, antes que a minha barriga começasse a roncar ou a baba cair ao ver eles matando a fome.
 E depois de bater o rango 'kkk, ficamos lá assistindo Hanna Montana -q, até eles conseguirem ligar um amplificador que pegaram emprestado pra tocar guitarra. Ainda ajudei a consertar mais uma vez algo na casa dele; dessa vez foi a WebCam, que tava sem o driver instalado. Tentamos umas tentativas inúteis de tirar fotos cada um com um instrumento, eu com o Violão – como se soubesse tocar –, o Leonardo com o Baixo – que tinha acabado de comprar e queimar o amplificador que veio junto –, e o Guilherme com a Guitarra – que estava desafinada –; uma banda muito bizarra, que eles já me chamaram pra fazer parte, mas como eu sou um bosta e não sei fazer nada, tive de recusar.

 Fui embora e andei até a pista pra pegar o ônibus na Kennedy, e quando desci a passarela vi um velho futucando umas sacolas, bem num lugar em que deixam umas oferendas pro Exu, daí logo pensei: “Essa porra ae deve ta fazendo trabalho! Vou chega-lhe dando uma voadora”. E já estava pronto pra dar uma bicuda no cara (brinks), quando ele virou pra mim e deu algo na minha mão, e eu achando que eram panfletos, aceitei.
 Segui meu rumo e enquanto andava fui ver a tal coisa, e percebi que era duas carteiras de identidades, um CIC (CPF) e um cartão da Osan – medo G_G. Aquilo quase concluiu a minha tese de macumba, até eu reparar na data: “20/01/1927”. CARACAS! Certamente era algum tipo de magia-negra; algo bem das trevas; dark total! Fiquei com medo dessa porra de adorador do demônio e pensei em atacar longe, mas não teria graça se não escaneasse pra por aqui:



 Chegando no ônibus dei de cara com uma mina muito gata sentada no fundão, que tive de esperar descer pra poder secar outra, em frente ela, que tinha um cabelo muito foda, e era a única coisa que eu tinha reparado, até descer meus olhos pro traseiro dela... CARA!, a mina tava com um shortinhos da escola, todo enfincado na bunda!, o que me fez na hora desviar o olhar, antes que acontecesse alguma 'reação natural' do meu corpo muito masculino me causando um constrangimento publico.
 Fiquei em pé no busão e reparei em uma mulher, aparentemente com uns 40 anos, sentada bem do meu lado dando uns tics nervosos e se estrebuchando toda; e era um assento duplo, mas mesmo assim eu não sentei do lado dela. Eu fico com medo quando vejo essas coisas... não que eu seja preconceituoso nem nada, mas sei lá!... e olha que nem é a primeira vez que eu pego ônibus com doido. Uma vez eu tava indo pro Shopping da minha cidade, e entrou um cara no ônibus gritando coisas em inglês, e depois ficou parado com as mãos nas coxas falando: “Jesus. Jesus Cristo! Jeova, meu pai!” – e ainda tem gente que não entende porque eu não gosto de crente...
 Passou um tempinho, a mulher se levantou pra sentar em outro lugar, e eu aproveitei pra ficar no assento à frente ao que ela estava antes, quando sentou um velho bem atrás de mim, e começou a me cutucar. Olhei pra trás, e ele perguntou: “Esse casaco é seu?” e eu disse que não; então o velho ficou de pé indo de assento em assento perguntando pra todo mundo: “De quem é esse agasalho? É seu? É do senhor?...” e eis que surge uma voz lá do meio do ônibus: “É MEU! É MEU!”. Era a mesma mulher doida, se estrebuchando da mesma forma.
 Depois de alguns minutos, tirei o caderno da mochila e comecei a escrever parte deste texto que você está lendo agora -q e o senhor, já atrás de mim novamente, começou a cantar, em voz alta. Dei uma olhada por cima do ombro, e reparei que o tiozinho tava com um papel na mão, como se tivesse decorando a música, mas sem perceber que estava incomodando todo mundo – ou pelo menos ME incomodando.
 Pra minha sorte, a canção não durou muito, mas minha alegria só se manteve até o momento em que outro velho, sentado à minha esquerda, começou a assobiar do nada. PUTA QUE PARIU! Estava começando a pensar que tinha entrado em um daqueles ônibus ‘especiais’, sabe? que só transporta gente com deficiência mental e tal...
 Tirei um cochilo rápido, só que segundos depois acordei com o 'desbarulho' do ônibus parando no ponto final, agora mais atento e já num salto; e dessa vez as pessoas ainda estavam se levantando das poltronas, mas o motorista, talvez retardado também, ligou o ônibus do nada e deu uma arrancada pra frente. Acostumado a já andar de ônibus me segurei, só que a mulher doida – que ainda continuava na bumba – não deve ter respondido rápido, e saiu voando e batendo com a cabeça no banco. Eu arregalei os olhos e pensei: “Caralho O_O!”. Por um lado deu pena, ao mesmo tempo em que fiquei dando risada por dentro, mas não consegui parar de pensar o quê uma pessoa daquela, desprovida de sanidade, fazia sozinha vagando de uma cidade pra outra (Praia Grande à Mongaguá).

 Peguei outro ônibus e fui direito pro meu serviço, e chegando lá estava uma muvuca desgraçada, e como não atendo o balcão – pois só trabalho no computador e quebrando alguns galhos – fiquei do lado de fora, escrevendo em meu caderno parte desse texto que você está lendo -q², e quando voltei lá pra dentro, já me falaram: “Já que você não ta fazendo nada mesmo, vai lá buscar as Marmitéx”. Então fui andando até um restaurante novo que abriu na cidade, aproveitando pra fazer uma propaganda, sem cobrar mesmo: Churrascaria Du Léo.
 Chegando lá, veio um cara todo felizão pra me atender, e eu pensei: “Porra, será que eu conheço esse cara?”, porque o maluco veio me saudando como se fossemos íntimos, ou sei lá, mas eu preferi botar na cabeça que era apenas um bom atendimento, até que o cara mostrou um jeitinho meio estranho, e após anotar meu pedido, falou prum outro: “Duas marmitex, daí”. Falei pra mim mesmo: “PUTZ!”, e fiquei pensando se era mesmo verdade esse papo que todo mundo fala de gaúcho ser veado, mas sei lá... talvez seja um jeito meio que afeminado, igual aos Russos, que se cumprimentam com um selinho na boca... Só espero que ninguém me lixe, venha pra cima de mim com algum facão ou tente me afogar no chimarrão.

 Depois disso tudo foi um dia bem puxado: trabalhei até dez horas da noite, fazendo coisas realmente importantes; e apesar de ser meio vagabundo, eu gosto de ser útil de vez em quando, me da uma sensação de que eu sirvo pra algo nesta vida, que beneficie outras pessoas, e não só a mim mesmo, como as coisas que eu gosto de fazer e queria ganhar dinheiro pra isso, como assistir filmes, escrever coisas idiotas...
 Quando estou na empresa do meu pai e da minha irmã, as vezes, de vez enquando, raramente... eu penso em trabalhar sério mesmo; tipo montar algo meu um dia; poderia ser com fotografia mesmo, talvez eu saberia levar, porque mesmo não parecendo, eu tenho um pouco de experiência, mas enfim, só espero que ninguém da minha família leia isto, porque eles não botariam fé nas minhas palavras.


Isso aqui já ta parecendo aqueles desabafos, e sinceramente, é muito chato de se ler 'huash.
Acho que o texto ta ficando grande... e ninguém deve ta lendo isso aqui. Consegui chegar em 1.900 palavras escritas. Talvez um recorde.
Todo bom escritor sabe o momento bom pra parar, e acho que deve ser agora. Só nunca sei como terminar o texto. Pois é... nunca sei disso.

Quanto aqueles documentos:
Tava com medo de ser algum ritual de incorporação, ressurreição, ou algo do tipo, que ao ser entregue na minha mão, usaria meu corpo como hospedeiro. Os queimei logo quando cheguei em casa, antes de começar a acontecer alguma coisa estranha comigo.