sábado, 21 de maio de 2011

dia 21 ▪ Pós 18 - parte 2 (Texto)

Recentemente minha vida deu longos passos:

Completei a maioridade, o que não sei ainda se é bom ou ruim. Só sei que era fundamental para que eu pudesse ser expulso legalmente de casa.
Tive uma festa de 18 anos maneira, melhor até do que esperava, dada pelo meu pai, o que foi justamente um dos motivos da minha mãe, enciumada, ter me ligado mandando entregar minhas chaves à minha irmã.
Na hora, fiquei com raiva e retruquei, dizendo que não devolveria merda nenhuma e desliguei o telefone na cara dela, mas depois meu orgulho e o meu amor-próprio fizeram com que percebesse que era o melhor a ser feito, e vi que aquela seria mais uma mudança radical e significativa na minha vida e, olha só que lindo: eu não chorei! – embora tenha lacrimejado.
Então arranquei dos meus chaveiros do Superman e Wild West (Hopi Hari) as chaves da porta e do portão, dei pra minha irmã, e disse para mim mesmo: “Agora sou eu contra o mundo”.
Logo, conquistei a tão sonhada independência, e agora estou morando sozinho numa casa que meu pai construiu num terreno perto à praia.
Tirando o fato de já ter conseguido – nos 7 primeiros dias –  pisar em um caco de vidro, queimar o dedo numa panela, quase arrancar o polegar esquerdo cortando um pão e tomar um choque em uma tomada com uma lâmpada pendurada improvisando um abajur, tem seus lados bons. Não preciso pagar aluguel, conta de água e nem de luz, e com exceções das cuecas, eu não lavo minhas roupas, pois uma vizinha contratada limpa a casa e vive se oferecendo quando vê meus trapos espalhados por aí e, mesmo ela sendo uma alma caridosa cheia de boas intenções, ainda sim meu lado Mort Rainey – que recentemente descobri existir de fato – quer a asfixiar com uma almofada ou enfiar uma chave-de-fenda na cabeça dela.

Eu realmente não sei o que comentar à respeito dessa turbulências...
No começo estava mais confiante, e continuo, de certa forma, mas minha cabeça anda cheia de duvidas, e eu nunca pensei que tivesse colhões pra admitir isso para vocês.

Ontem, depois de 19 dias morando sozinho, foi o único momento em que senti falta da minha antiga vida.
Fui assistir a estréia de Piratas do Caribe 4 e, como nunca dou sorte pra nenhum filme com o Johnny Depp, cheguei atrasado mais uma vez; só porque não sabia o horário em que o ônibus passava na avenida aqui em Mongaguá; e ainda quando consegui pega-lo, ele deu voltas e voltas até o shopping de Praia Grande, o que me fez perder 30 minutos e chegar no caixa fechado pra comprar o ingresso.
E a minha angustia só aumentou, quando vários ônibus pro meu antigo bairro passaram, e NENHUM sentido Mongaguá. Tive que andar até o Terminal, pegar um local, descer na divisa entre as duas cidades e fazer uma longa caminhada de 2 ou 3km até a minha atual residência, o que teria sido pior se já não tivesse feito percursos maiores antes, como da vez que andei de Mongaguá até a minha ex-casa, num total de aproximadamente 14 mil metros percorridos.

Acho que uma música do CPM22 pode explicar bem a sensação que ando sentindo...
“Me sinto só... Mas quem é que nunca se sentiu assim?
Procurando um caminho pra seguir uma direção...
Respostas?!
Um minuto para o fim do mundo... Toda a sua vida em sessenta segundos.
Uma volta no ponteiro do relógio... pra viver.
O tempo corre contra mim. Sempre foi assim, e sempre vai ser”.

E o mais triste é que não importa o que aconteça, eu não consigo ser responsável, mesmo com o mundo desabando sobre minha cabeça.
Sem contar que ando numa maré de fudidagem!


Mas a gente vai levando, e tentando.
Hoje mesmo eu fiz o meu primeiro café! E até que não ficou tão ruim – embora tenha me deixado com uma puta vontade de vomitar.
O que não pode é perder o amor pela vida – Mentira! Só não me matei ainda porque não achei ninguém pra me vender um três oitão carregado; e não me afogo na água da praia aqui do lado porque as duas vezes que tentei não foram muito bem sucedidas.

Agora se me dão licença, tenho que preparar o meu almoço. E hoje tem miojo!
Na verdade, é a única coisa que tem aqui, mas só que dessa vez é de feijão.