quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

dια 25 ▫

Era quase noite quando desci do ônibus e te vi. Você estava na calçada do prédio pra onde havia se mudado, gritando pro seu irmão algo do qual não me recordo; provavelmente uma bronca.

Eu não tinha outra escolha senão passar do seu lado – pra ser sincero, talvez tivesse, porque uma parte minha desejava chamar a sua atenção, mas outra, que você não tivesse me visto.

Então o fiz. Passei rapidamente por você sem sequer olhar, como se nem mesmo te conhecesse.
Queria que soubesse que eu estava com raiva; que entendesse que eu preferia fingir que nunca tivemos nada.

Mas você me viu, e chamou meu nome. E fingi que não escutei.
Podia usar a desculpa clássica de que estava com os fones de ouvido. Mas talvez tenha ficado evidente que eu fazia de propósito quando comecei a acelerar o passo.

Assim, virei a rua. Mas havia um lado meu que queria que você tivesse corrido atrás de mim, igual você fazia sempre. Daí você surgiu, vindo na minha direção. Igual a todas as vezes.
Eu amava isso em você... Sempre que eu fugia você vinha atrás de mim, do jeito que eu queria, e isso me abria um sorriso no rosto.

Tentei te ignorar, mas não consegui. Nunca consigo. Parece que a parte de mim que sabe que você não vai me fazer bem não consegue ser maior do que a que quer te manter na minha vida.

Tentei conversar contigo, mas não deixei você falar muito, pois quase sem pensar, talvez até de forma automática, te puxei pro meu abraço.
Não sei o porquê de eu gostar tanto assim de te abraçar, só sei que, como em todas as vezes, foi maravilhosamente bom. Exceto por me fazer perceber que de fato ainda carrego comigo parte do amor que senti por você.

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